Esses novos dias de solteirice estão muito diferentes dos dias de outrora. Está tudo muito mudado, passei a crer que algo tenha mudado em mim também.
Ainda possuía alguns princípios nessa minha vida, mas estou jogando-os fora um a um. Alguém pode chamar isso de regressão de caráter. Eu chamo de acaso.
Antes de algumas semanas atrás, por exemplo, eu nunca havia quebrado o décimo mandamento. Mas aconteceu e eu não posso dizer exatamente que me arrependi.
O objeto do meu pecado foi um desenhista de 1,90 m, olhos verdes, loiro e tatuado. Algo pelo qual valeria a pena ir para o inferno.
Conheci o sujeito quando acompanhei uma amiga até seu ateliê, ela pretendia encomendar um desenho dele. Quando chegamos ao lugar fiquei absolutamente chocada com a composição física da criatura. Ele parecia um tanque de guerra.
Depois de fechado o negócio, ficamos por lá bebericando e conversando. Ele contou-nos sobre suas viagens, seu tempo no exército, sobre como amava o trabalho que tinha.
Sempre perspicaz. Sempre charmoso. Trocamos alguns olhares assumidamente sacanas. Eu tinha caído na rede. “Preciso fazer alguma coisa com ele. Nem que seja um desenho”, eu disse na saída do ateliê.Nos dias subseqüentes tive sonhos com aqueles braços rabiscados e uniformes do exército.
Numa tarde ele me ligou. Perguntou se eu queria passar no ateliê no fim do dia. Bater um papo, ouvir uma música...Aceitei sem titubear.
Conversamos sobre uma porção de coisas interessantes, até ficar tarde o suficiente.
Na hora de ir embora fomos nos cumprimentar e o espertinho fez como os garotinhos adolescentes, virou o rosto e me lascou um beijo na boca. E que beijo! Fiquei sem fôlego, uma mistura de surpresa e excitação.
Assim que nossos lábios descolaram veio a bomba.
- Olha, mas eu preciso te dizer uma coisa...eu sou casado.
A nova informação me deixou atônita. Eu tinha, afinal, prometido para mim mesma que jamais faria isso, tal a repugnância que sentia por mulheres que agiam assim.
Sem saber o que dizer, peguei meu rumo e fui embora. No caminho tentei racionar a coisa toda corretamente, mas a satisfação era maior. Tinha um sorriso imbecil na cara que não saía por mais que eu tentasse.
Nos dias seguintes pensei muito no que deveria fazer, sobre os parcos princípios que ainda resistiam nesse corpo apodrecido, se deveria mantê-los por aqui. Mas o desejo...Ah o desejo. É algo que não se pode controlar.
Ele me ligou. Chamou-me para dançar um blues. Eu aceitei. Mas não havia blues, só dança. Nos jogamos no sofá do ateliê e espalhamos nossas roupas pelo chão.
Eu usava uma calcinha fio-dental preta, mesmo assim, a coisa não desenvolvia. Ele parecia aflito. Mais aflito que eu, que estava jogando na privada minha moral.
Depois de um incentivo oral a coisa começou a melhorar, mas longe de dizer que estava ideal. Não estava. Estava muito aquém das minhas expectativas. Ele era um tanque de guerra, sim, mas com o motor de um fusquinha velho.
Quando eu já me questionava sobre a merda que estava fazendo, veio o golpe final. O telefone tocou. Ele atendeu.
- Oi amor!!!
Se eu fosse um homem meu pênis teria caído até a China. Levantei-me. Vesti
minhas roupas. Antes que ele desligasse o telefone, eu já estava postada frente a porta. Pronta para ir embora. Despedi-me do soldado com uma reverência respeitosa e nunca mais o vi. Foi uma meia fóda, meia bomba com um meio homem.
Descobri que os princípios não estão aí por um acaso e que, por mais que o mundo mude, certas coisas sempre serão as mesmas. Pelo menos para mim.
Ainda possuía alguns princípios nessa minha vida, mas estou jogando-os fora um a um. Alguém pode chamar isso de regressão de caráter. Eu chamo de acaso.
Antes de algumas semanas atrás, por exemplo, eu nunca havia quebrado o décimo mandamento. Mas aconteceu e eu não posso dizer exatamente que me arrependi.
O objeto do meu pecado foi um desenhista de 1,90 m, olhos verdes, loiro e tatuado. Algo pelo qual valeria a pena ir para o inferno.
Conheci o sujeito quando acompanhei uma amiga até seu ateliê, ela pretendia encomendar um desenho dele. Quando chegamos ao lugar fiquei absolutamente chocada com a composição física da criatura. Ele parecia um tanque de guerra.
Depois de fechado o negócio, ficamos por lá bebericando e conversando. Ele contou-nos sobre suas viagens, seu tempo no exército, sobre como amava o trabalho que tinha.
Sempre perspicaz. Sempre charmoso. Trocamos alguns olhares assumidamente sacanas. Eu tinha caído na rede. “Preciso fazer alguma coisa com ele. Nem que seja um desenho”, eu disse na saída do ateliê.Nos dias subseqüentes tive sonhos com aqueles braços rabiscados e uniformes do exército.
Numa tarde ele me ligou. Perguntou se eu queria passar no ateliê no fim do dia. Bater um papo, ouvir uma música...Aceitei sem titubear.
Conversamos sobre uma porção de coisas interessantes, até ficar tarde o suficiente.
Na hora de ir embora fomos nos cumprimentar e o espertinho fez como os garotinhos adolescentes, virou o rosto e me lascou um beijo na boca. E que beijo! Fiquei sem fôlego, uma mistura de surpresa e excitação.
Assim que nossos lábios descolaram veio a bomba.
- Olha, mas eu preciso te dizer uma coisa...eu sou casado.
A nova informação me deixou atônita. Eu tinha, afinal, prometido para mim mesma que jamais faria isso, tal a repugnância que sentia por mulheres que agiam assim.
Sem saber o que dizer, peguei meu rumo e fui embora. No caminho tentei racionar a coisa toda corretamente, mas a satisfação era maior. Tinha um sorriso imbecil na cara que não saía por mais que eu tentasse.
Nos dias seguintes pensei muito no que deveria fazer, sobre os parcos princípios que ainda resistiam nesse corpo apodrecido, se deveria mantê-los por aqui. Mas o desejo...Ah o desejo. É algo que não se pode controlar.
Ele me ligou. Chamou-me para dançar um blues. Eu aceitei. Mas não havia blues, só dança. Nos jogamos no sofá do ateliê e espalhamos nossas roupas pelo chão.
Eu usava uma calcinha fio-dental preta, mesmo assim, a coisa não desenvolvia. Ele parecia aflito. Mais aflito que eu, que estava jogando na privada minha moral.
Depois de um incentivo oral a coisa começou a melhorar, mas longe de dizer que estava ideal. Não estava. Estava muito aquém das minhas expectativas. Ele era um tanque de guerra, sim, mas com o motor de um fusquinha velho.
Quando eu já me questionava sobre a merda que estava fazendo, veio o golpe final. O telefone tocou. Ele atendeu.
- Oi amor!!!
Se eu fosse um homem meu pênis teria caído até a China. Levantei-me. Vesti
minhas roupas. Antes que ele desligasse o telefone, eu já estava postada frente a porta. Pronta para ir embora. Despedi-me do soldado com uma reverência respeitosa e nunca mais o vi. Foi uma meia fóda, meia bomba com um meio homem.Descobri que os princípios não estão aí por um acaso e que, por mais que o mundo mude, certas coisas sempre serão as mesmas. Pelo menos para mim.

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