terça-feira, 9 de junho de 2009

Encontrando um ex

Revival com ex-namorado é uma faca de dois gumes. Pode ser sensacional ou acabar se mostrando uma péssima idéia. Mas uma coisa é certa, quase sempre, é inevitável.
Há um tempo tive um revival com o namorado número 1. Ele tocou lá em casa numa noite especialmente fria. E sabem como ficam as mulheres nas noites frias...
O número 1 disse que me pagaria uma bebida. Resolvemos ir até um bar próximo de casa, alí pelo bairro mesmo. Ele, além de ex-namorado, era quase meu vizinho.
No bar, o número 1 pediu logo uma garrafa de vinho. Noite fria, garrafa de vinho. Só uma completa idiota não perceberia o que estava por vir. Como não sou nenhuma idiota, entrei no jogo.
A música estava péssima no bar e, quando começamos a falar sobre nossos discos de vinil, a oportunidade se mostrou e eu aproveitei. Afinal, possuo um toca discos em pleno funcionamento, e isso nos dias de hoje é algo realmente extraordinário. Sugeri que comprássemos outra garrafa do néctar dionisíaco e fôssemos para minha casa. Conversamos sobre músicas, livros e amores enquanto esvaziávamos taças de vinho sucessivamente.
Entre um disco e outro ele finalmente fez o que queria. Me agarrou pela nuca e me beijou com muito vigor. A parte boa de ex-namorados é que eles não precisam ler o manual de instruções. Já vêm preparados para manobrar nossas máquinas. E como ele manobrava bem! Segurava gostoso, com os braços por debaixo dos meus e mãos espalmadas nas costas, e beijava. Me pressionou contra a parede e desfilou com seus lábios pelo meu pescoço. Quando dei por mim, as mãos dele já estavam nas minhas calças e disso foram só alguns segundos até que eu estivesse estirada no chão encapetado, de pernas afastadas, recebendo um beijo íntimo executado à excelência.
O namorado número 1 era mestre na arte do sexo oral. Em toda a minha vida não encontrei sujeito que fizesse esse serviço melhor que ele. Caras têm uma séria dificuldade de encontrar o clitóris. Inexplicável. Esse tipo de coisa devia ser ensinada na escola secreta dos homens. Deveria ter livro didático sobre como chupar uma boceta. Um material ricamente ilustrado, com mapas de localização e tudo o mais. Mas não é assim e a grande maioria falha vergonhosamente mesmo, não tem jeito.
Voltando àquela noite, depois de me fazer gozar com a língua, ele veio por cima com a robustez de um homem excitado. Mas no meio da transa eu comecei a lembrar daquele menino de 15 anos que descobriu a vida sexual comigo. Daquele rapazote franzino com quem eu, adolescente, me amassava pelas paredes do bairro. Do sujeito que tirou minha virgindade com os dedos na soleira de casa e que me chamava de apelidinhos carinhosos.
De repente fiquei meio constrangida. Não era mais sujo e sacana, agora era bonitinho. Só bonitinho. E não se transa com coisas bonitinhas. Com coelhinhos felpudos cor de rosa. Coisas bonitinhas ficam na estante. E foi o que eu tive vontade de fazer. Tirar o número 1 de dentro de mim e coloca-lo numa estante, com uma plaqueta embaixo onde estaria escrito “sexo oral campeão”.
Ele terminou. Eu tirei o disco e ficou assim. O melhor e o pior de uma transa com ex numa mesma noite.

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