segunda-feira, 8 de junho de 2009

Um cafajeste pra chamar de meu

Preciso de um cafajeste. Mas preciso de um de verdade, não daqueles que te comem e te repelem tão logo a camisinha é tirada, ou daqueles que te chamam na rua com um “princesa” ou, pior ainda, um “psiu”. Que tipo de homem não se dá ao trabalho de pensar em algo melhor que um psiu? Qualquer coisa é melhor que um psiu! Até um “delícia”.
Mas eu quero mesmo é um cafajeste à moda antiga, um que tenha classe. A minha miséria é que, até onde sei, eles não são fáceis de encontrar. Conheci apenas um espécime deste tipo na vida, que, para meu azar, já tinha passado do auge fazia um bom tempo.
Mesmo com a idade batendo ferozmente na porta, o olhar daquele cafajeste autêntico ganha de longe, por umas mil trepadas, do olhar sacana de qualquer conquistadorzinho comum.
Um cafajeste de verdade é aquele que sempre diz as coisas certas nas horas certas. Ele conhece o próximo movimento, como um bom dançarino. Um cafajeste sabe muito bem como as mulheres se comportam e dá-lhes exatamente o que querem. Sem drama, sem complicação.
O cafajeste autentico vai encantar tocando seu corpo de um jeito especial. Esbarrando na sua coxa, dedilhando os seus quadris...Um espetáculo sinestésico que só quem tem a situação sob controle é capaz de armar. Ele vai te amar loucamente e será só seu enquanto estiverem juntos. Vai dar o sexo que você desejar, pois um cafajeste autêntico regozija-se do prazer que ele sabe que é capaz de proporcionar. Vai fazer-lhe odes, sonatas, cantará músicas pra você. E, depois de tudo, com a classe de um fidedigno cafajeste, ele não te perturbará nunca mais a não ser para dizer, vez ou outra, como você estava gostosa naquela ocasião.
Queria um Don Juan por noite, por umas mil noites.



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