segunda-feira, 13 de julho de 2009

O banheiro vazio

Dentre os ambientes lascivos que conheço, shows de blues são os que mais gosto. Não tem muito segredo. É só colocar uns caras bons para tocar um blues bacana, alguma bebida, num buraco legal e deixar, que o resto acontece sozinho.
Em pouco tempo, com essa fórmula, o que se vê são garotas serpenteando hipnotizadas na frente do palco e homens caçando em um ambiente totalmente seguro para eles, lançando seus melhores olhares de luxúria. É realmente fascinante e encantador ser seduzida num lugar assim.
Na noite em que conheci o inglesinho genérico, a caçada no blues prometia. Um bocado de caras em quem eu vinha trabalhando estariam todos juntos, naquele mesmo lugar. Eu sabia que não chegaria ao fim daquela noite de mãos vazias.
Duas caipirinhas, uma vodka e três cervejas depois, o som estava incendiando tudo e uma névoa de fumo encobria o lugar. Daí ele entrou, acompanhado de algumas amigas minhas. Alto, magro, terno e camisa, um clássico espécime do estilo britpop. Lembrava-me muito o vocalista da banda inglesa Blur, Damon Albarn. Quando eu era adolescente tinha sonhos loucos com esse vocalista. Sonhava, do alto de meus 14 anos, que ele faria um show no Brasil, nós nos conheceríamos e seria lindo, com uma bela noite de sexo no final.

No trajeto entre o bar e o palco encontrei uma das amigas que o acompannhava. Ela disse que o tal sujeito tinha sido só elogios para com a minha pessoa. A história me animou. Seria uma conquista nova, pois o salão estava cheio de jogos ganhos. Peguei minha cerveja e fui sentar com meus novos anfitriões.
Descobri que ele era político, de uma linha bem diferente da minha. Isso me deixou um bocado excitada com o novo projeto. Segurei-o pela mão, sem dizer uma palavra, e o conduzi para outra mesa.
- Hum. Um lugar reservado...
- É, não dava pra ouvir o que você dizia.
- E você quer conversar?
- Na verdade, não.
Aproximei minha cadeira, com minhas pernas entre as dele, e o beijei. Ele se levantou e me encostou numa parede. Deliciei-me. A coisa esquentou e fomos para um canto um pouco mais escuro. Ele me mostrou o que tinha dentro das calças. Era uma bela escultura rosada em riste. Dali para estarmos na frente do banheiro, esperando a hora certa para entrar, longe dos olhares inquisitórios dos garçons, foram só alguns minutos.
Entramos em um dos banheiros e metemos, no sentido mais selvagem da coisa. Ele era sacana numa medida deliciosa, cheio de palavrões abafados. Fiquei em êxtase.
Deixei aquele banheiro tão relaxada e satisfeita – em parte pelo prêmio de ter riscado da listinha de metas sexuais o item “trepar com Damon Albarn ou algo parecido” – que tomei meu último drink, dei adeus aos outros pretendentes e despedi-me de meu charmoso inglesinho genérico com um sorriso no rosto.
Blues faz muito bem para a pele.


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