Sempre me impressiono com todo o tipo de coisa estúpida que já fiz em busca de sacanagem. As vezes a aventura nem começa com a sacanagem, mas normalmente termina nela. Lembro de duas com certo carinho...Esta é uma delas
O Estrangeiro
Conheci O Estrangeiro quando era bem nova. No início da adolescência. Ele tinha um belo sobrenome espanhol e era, naquela época, a coisa mais linda que eu já tinha visto.
Tinha um sorriso límpido completamente envolvente. Foi uma paixão ardente...Pelo menos para uma garota de 13 anos.
Um dia ele foi embora. Mudou-se de continente. Foi para sua terra.
Há poucos anos recebi um e-mail, que me deixou totalmente perplexa, O Estrangeiro viria ao Brasil, a primeira vez em dez anos, para uma breve visita e queria MUITO me ver.
Quem diria! Anos depois eu teria a chance de colocar a prova todas aquelas lembranças altamente eróticas...
Na primeira noite nos encontramos e fomos todos amenidades. Na noite seguinte, tocamos em assuntos mais delicados. No terceiro dia, pela manhã, eu já não conseguia parar de pensar nele.
Fui para o trabalho sabendo que em apenas mais um dia ele iria embora de novo. Sabe-se lá se por mais dez anos! Creio que se passava o mesmo com ele, já que O Estrangeiro me telefonou logo nas primeiras horas do dia comercial. Falamos algumas besteiras e algo sobre saudade. Quando desliguei o telefone já estava decidida a sair dali.
Criei uma emergência para ser resolvida. Peguei minhas coisas e atravessei a cidade.
Cheguei no pequeno apartamento mantido pela família do rapaz por volta das 11h da manhã. Não tinha quase nada. Só uma cama e alguns vinhos...Pensando bem, o que mais eu poderia querer?
Secamos uma garrafa e em poucos minutos os pudores fugiram correndo. A uma da tarde éramos dois errantes no paraíso. Longe de nossas roupas, perto de nossos desejos.
O Estrangeiro me jogou em sua cama sem lençol e me beijou num ritmo totalmente condizente com a chuva que caía, as três da tarde, naquela tarde de primavera.
O vinho, o sexo oral, o colchão velho e manchado, a falta ao trabalho, não sei dizer qual foi a melhor parte, a que fez com que a coisa toda ficasse impregnada na minha memória.
As cindo da tarde, ele estava dormindo. Vitima de dez anos de espera e de um vinho espanhol. Vesti minhas roupas, e deixei-o ali. Nu, numa cama vazia. Voltei ao trabalho a tempo de bater o cartão na saída. Disse a todos que os problemas tinham sido terríveis, mas que estavam todos resolvidos.
Realmente, tinha resolvido problemas do passado. E na consciência, não importava se tinha falhado profissionalmente. Na consciência, não sobrou nada. Só satisfação.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
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Muito boa história..
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