segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O fim de novela que eu nunca assisti

Trago flores para você. Elas estão sobre o meu corpo. Espero que arranque pétala por pétala e tome do meu néctar.

Depois de um bocado de tempo sem bom sexo, encontrei um tipo bacana de cara. Mete bem, esperto, bem humorado, com casa e condução – quer aceite ou não, é fato, condução conta muito, e digo isso não como Maria Gasolina, mas como ébria que sou. Embriaguez é crime.
Conheci-o em um trabalho. Estava no bar e ele havia estacionado na porta do lugar. Era uma moto vermelha. Ele amarrou o capacete na motocicleta e foi casa adentro. Trocamos alguns olhares, uma apresentação e meia dúzia de palavras. Na saída resolvi deixar um bilhete no capacete.
Ando numa mania de bilhetinhos. Encontrei muitas cartas incríveis que meus avós trocavam quando eram apenas jovens errantes e fiquei entusiasmada com a idéia e o mistério de ler um punhado de palavras escritas com a letra de alguém.
Mas voltando ao bilhete em si, no dia seguinte recebi uma resposta. Dizia que ele estava surpreso. Que queria me levar a uma exposição de arte, como primeiro encontro.
Aceitei. Na manhã seguinte outro e-mail adiantava nosso encontro. Agora seria um almoço, naquela mesma tarde.
Encontramos-nos. Ele parecia tão vistoso a luz do dia como me pareceu à luz da noite.
Sentamos a mesa de um restaurante de comida estrangeira e colocamo-nos a encarar o cardápio.
- O que você vai querer¿ Perguntei
- Na verdade eu não queria ver isso agora. Na verdade eu queria te beijar, posso¿
- Claro.
Almoçamos e fumamos alguns cigarros entre beijos e agarrões.
Esperei uma ligação dele até de noite, Mr Jones. Homens como ele não ficam abaixo de nossas simples expectativas.
As 20h recebi a ligação. Naquela noite aconteceria o grande final de um dramalhão porto-riquenho, que eu acompanhava. Ele, sem pestanejar, cedeu seu televisor e sua sala para que eu assistisse ao decadente programa. Nem preciso dizer que também não pestanejei em aceitar.
Durante uma cena de pouca importância, em seu confortável sofá de dois lugares carcomido pelo tempo, beijamo-nos enquanto suas mãos curiosas percorriam meu corpo. Nossas roupas foram sumariamente arrancadas e num ímpeto quase adolescente Mr Jones avançou sobre mim. Me pareceu terrivelmente agradável leva-lo à loucura naquele momento. Joguei-o no sofá e ajoelhei à sua frente. Fazia tempo que não tinha vontade de chupar alguém como tive naquele instante. E ele tinha um pau maravilhoso – coberto de ouro, como diria uma amiga minha. Transamos umas três vezes naquela noite.
Encontramos-nos novamente no dia seguinte. Esta foi a noite da trepada em pé, no meio da sala. Eu de corpo curvado, como um compasso, ele atrás de mim, segurando em minhas ancas com firmeza. Gozei umas duas vezes. No terceiro dia, ele trouxe alguns “materiais” e se mostrou aberto para resolver mínimas falhas de masturbação. Peguei sua mão e mostrei como gostava de ser tocada. Disse-lhe como o corpo da mulher avisa que está pronto para o coito, das maças do rosto ruborizadas e dos lábios vivos e úmidos. Ele era um ótimo aluno.

Mas no quarto dia...No quarto dia tudo acabou. O cara, o senso de humor, foi-se a casa e a condução própria. Sobraram as flores e algumas pétalas para serem arrancadas por outros passarinhos. Goodbye Mr Jones. Tank you.

Um comentário:

  1. Queria um Mr.Jones mais duradouro pra mim... tipo, umas 3 semanas hahahaha
    Adorei sua história.... q eu já sabia, mas sem tantos detalhes.
    Acho q vc deveria escrever um livro, e assiná-lo como um pseudônimo.

    Bjo

    Crazy Pepper

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